O que é o ultrassom dermatológico facial
Quem faz harmonização hoje ouve falar do ultrassom da face e fica na dúvida do que ele realmente mostra. Resumindo: é um ultrassom de alta frequência (a partir de 18 MHz) que enxerga a pele por dentro. Epiderme, derme e subcutâneo, com nitidez para estruturas milimétricas que nenhum outro exame de imagem alcança nessa escala.
O exame é indolor, não invasivo, não utiliza radiação e não exige preparo especial. O transdutor desliza suavemente sobre a pele com gel, e as imagens são geradas em tempo real.
A frequência mínima recomendada para exame dermatológico é de 15 MHz, com uso rotineiro de Doppler colorido para avaliar a vascularização das lesões, segundo as diretrizes do grupo DERMUS e o posicionamento da EFSUMB.DERMUS, 2016 · EFSUMB, 2021
Quando o exame é indicado
Na prática, ele entra em quatro momentos:
Antes de procedimentos estéticos
O mapeamento prévio permite ao profissional que vai realizar o procedimento conhecer a anatomia individual do paciente: espessura da pele, localização de vasos, presença de material de procedimentos anteriores. Isso aumenta a segurança e a precisão da aplicação.
Acompanhamento pós-procedimento
Após aplicação de preenchedores (ácido hialurônico, hidroxiapatita de cálcio), bioestimuladores (policaprolactona, ácido poli-L-láctico) ou fios de sustentação, o ultrassom permite verificar a distribuição do produto, sua integração com os tecidos e identificar possíveis complicações precocemente.
Suspeita de complicações
Quando surgem nódulos, endurecimento, assimetria ou dor após procedimentos estéticos, o ultrassom é o exame de escolha para avaliar o que está acontecendo sob a pele: se há coleção, granuloma, migração de produto ou compressão vascular.
Avaliação de lesões cutâneas
Nódulos subcutâneos, cistos, lipomas e outras lesões na face podem ser avaliados quanto ao tamanho, profundidade, vascularização e relação com estruturas adjacentes.
O que o exame avalia
- Espessura e ecogenicidade da epiderme e derme
- Localização e distribuição de preenchedores dérmicos
- Posição de fios de sustentação (PDO, policaprolactona)
- Presença e distribuição de bioestimuladores
- Vascularização local com Doppler colorido
- Nódulos, cistos e granulomas
- Espessura do tecido subcutâneo
O que o ultrassom mostra de cada produto
Essa é a pergunta que mais chega aqui: dá para saber o que foi aplicado? Em boa parte dos casos, sim. Cada material tem um comportamento próprio na imagem, e a literatura de ultrassonografia dermatológica já descreve esses padrões há mais de uma década.
| Material | Aspecto no ultrassom | Padrão descrito na literatura |
|---|---|---|
| Ácido hialurônico | Áreas anecoicas ou hipoecoicas, bem delimitadas, com aspecto pseudocístico | Globular cístico |
| Hidroxiapatita de cálcio | Depósitos hiperecogênicos irregulares com sombra acústica posterior | Nevasca grossa |
| Ácido poli-L-láctico (PLLA) | Material hiperecogênico | Nevasca grossa |
| Policaprolactona (PCL) | Material hipoecogênico com focos hiperecogênicos esparsos, correspondentes às microesferas | Misto |
| PMMA | Focos hiperecogênicos com artefato em cauda de cometa | Nevasca grossa |
| Silicone líquido injetável | Múltiplos focos hiperecogênicos com sombras posteriores, obscurecendo os planos profundos | Nevasca fina |
| Fios de sustentação | Estruturas lineares hiperecogênicas, com trajeto identificável | Linear |
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Duas ressalvas honestas. A primeira: o ácido hialurônico muda de aparência com o tempo, e quanto mais integrado ao tecido, mais difícil isolar na imagem. A segunda: no Brasil o termo "biopolímero" costuma se referir ao PMMA e ao silicone líquido industrial, que são materiais diferentes entre si e têm padrões distintos no exame. Por isso o laudo descreve o que a imagem mostra, e o histórico da paciente entra na conversa para fechar a interpretação.
Como funciona o exame
O exame é realizado com a paciente deitada, sem necessidade de jejum ou qualquer preparo. Um gel é aplicado sobre a região facial a ser avaliada, e o transdutor desliza sobre a pele gerando imagens em tempo real.
A duração varia conforme a extensão da avaliação: de 15 a 30 minutos. O laudo é entregue com imagens documentadas e descrição detalhada dos achados.
Perguntas frequentes
O que é ultrassom dermatológico facial?
É um exame de imagem que utiliza transdutor de alta frequência (≥18 MHz) para visualizar as camadas da pele facial (epiderme, derme e subcutâneo) com resolução suficiente para identificar preenchedores, bioestimuladores, fios de sustentação e alterações estruturais.
Quando devo fazer ultrassom dermatológico facial?
O exame é indicado antes de procedimentos estéticos (mapeamento prévio), para acompanhamento pós-procedimento, quando há suspeita de complicações (nódulos, migração de produto) ou para avaliação de lesões cutâneas e subcutâneas na face.
O ultrassom dermatológico dói?
Não. O exame é indolor e não invasivo. O transdutor desliza suavemente sobre a pele com gel, sem necessidade de anestesia ou preparo especial.
Quanto tempo depois do preenchimento posso fazer o ultrassom?
Não existe tempo mínimo de espera. O exame pode ser feito antes do procedimento, para mapear a anatomia, logo depois, para conferir a distribuição do produto, ou meses depois, quando surge alguma queixa. O que muda é o que se procura em cada momento. Vale saber que o ácido hialurônico tende a ficar mais difícil de isolar na imagem conforme se integra ao tecido.
O ultrassom identifica qualquer produto aplicado?
A maioria dos materiais usados em harmonização tem comportamento próprio na imagem: o ácido hialurônico aparece como área anecoica bem delimitada, a hidroxiapatita de cálcio como depósito hiperecogênico com sombra posterior, o PMMA com artefato em cauda de cometa. Ainda assim, o exame descreve o padrão encontrado, não a marca do produto, e o resultado depende da quantidade aplicada e do tempo desde o procedimento.
O exame exige preparo, jejum ou contraste?
Não. O ultrassom dermatológico não usa radiação nem contraste e não exige jejum. Basta comparecer com a região a ser avaliada limpa, sem maquiagem pesada ou cremes.
Fontes e referências
- Wortsman X, Alfageme F, Roustan G, et al. Guidelines for Performing Dermatologic Ultrasound Examinations by the DERMUS Group. Journal of Ultrasound in Medicine. 2016;35(3):577-580. PubMed 26887446
- Alfageme F, Wortsman X, Catalano O, et al. European Federation of Societies for Ultrasound in Medicine and Biology (EFSUMB) Position Statement on Dermatologic Ultrasound. Ultraschall in der Medizin. 2021;42(1):39-71. PubMed 32380567
- Wortsman X, Wortsman J, Orlandi C, et al. Ultrasound detection and identification of cosmetic fillers in the skin. Journal of the European Academy of Dermatology and Venereology. 2012;26(3):292-301. PubMed 21418333
- Wortsman X. Identification and Complications of Cosmetic Fillers: Sonography First. Journal of Ultrasound in Medicine. 2015;34(7):1163-1172. PubMed 26112618
- Urdiales-Gálvez F, Martín-Sánchez S, Maíz-Jiménez M, et al. Ultrasound patterns of different dermal filler materials used in aesthetics. Journal of Cosmetic Dermatology. 2021;20(5):1541-1548. Wiley Online Library
Conteúdo revisado por Dra. Tassia Rezende, médica radiologista (CRM-MT 6930, RQE 3691 e RQE 3796), em 11 de agosto de 2026.