O ecocardiograma fetal é um ultrassom dedicado só ao coração do bebê. Ele vai além da avaliação cardíaca feita no morfológico e é o exame de referência para encontrar cardiopatias congênitas ainda na gestação. Aqui você entende quando ele é indicado, o que avalia e como se preparar.
O que é o ecocardiograma fetal
É um exame de ultrassom feito pela barriga, sem dor e sem radiação, com foco exclusivo no coração do bebê. Ele avalia as câmaras cardíacas, as válvulas, a parede que separa os lados do coração, a saída das grandes artérias, o ritmo dos batimentos e o fluxo de sangue com Doppler.
As cardiopatias congênitas estão entre as malformações mais comuns: afetam cerca de 1 em cada 100 bebês. Muitas são simples, mas algumas precisam de cuidado logo depois do nascimento. Saber antes permite planejar o parto em um hospital com equipe preparada.
Quando fazer
O período mais indicado é entre 24 e 28 semanas, quando o coração já tem tamanho para ser estudado em detalhe. Em gestações de risco alto, uma primeira avaliação pode ser feita antes, com repetição depois.
Quem deve fazer
O exame é indicado principalmente quando há:
- Pai, mãe ou irmão com cardiopatia congênita.
- Diabetes da mãe já antes da gestação.
- Alteração no coração vista no morfológico, ou translucência nucal aumentada no 1º trimestre.
- Arritmia (batimentos muito rápidos, lentos ou irregulares) percebida em outro exame.
- Gestação de gêmeos que dividem a mesma placenta.
- Uso de alguns medicamentos na gestação, como certos anticonvulsivantes, ou doenças autoimunes da mãe com anticorpos específicos.
- Gestação por fertilização in vitro.
Mesmo sem fator de risco, muitos obstetras pedem o exame para todas as gestantes, porque a maioria das cardiopatias acontece em bebês de mães sem nenhum fator conhecido.
Como é o exame e preparo
O exame é feito com gel e transdutor sobre a barriga e dura em geral de 30 a 60 minutos. O coração é pequeno e bate rápido, então a posição do bebê faz diferença: às vezes é preciso pausar, caminhar e retomar. Não precisa de jejum nem de bexiga cheia. Traga o laudo do morfológico.
E se aparecer alguma alteração?
O laudo é discutido com o obstetra, que pode encaminhar para cardiologia pediátrica ainda na gestação. Algumas alterações pequenas se resolvem sozinhas. Outras pedem acompanhamento com novos exames e planejamento do parto em centro com cardiologia pediátrica. Depois do nascimento, o teste do coraçãozinho e a avaliação do pediatra completam o cuidado.
Perguntas frequentes
Com quantas semanas faz o ecocardiograma fetal?
O período mais indicado é entre 24 e 28 semanas. Em gestações de alto risco, o médico pode pedir uma avaliação mais cedo e repetir depois.
Qual a diferença entre ecocardiograma fetal e morfológico?
O morfológico avalia o bebê inteiro e inclui uma visão básica do coração. O ecocardiograma fetal é dedicado só ao coração, com análise detalhada das estruturas, do ritmo e do fluxo de sangue.
O ecocardiograma fetal é pela barriga?
Sim. É feito pela barriga, com gel e transdutor, sem dor e sem radiação.
Precisa de preparo para o ecocardiograma fetal?
Não precisa de jejum nem de bexiga cheia. Roupa de duas peças facilita, e vale levar o laudo do morfológico.
Ecocardiograma fetal normal garante que o coração do bebê é normal?
É o melhor exame para isso na gestação, mas nenhum exame detecta 100% das alterações. Alguns defeitos pequenos só aparecem depois do nascimento, por isso o teste do coraçãozinho continua importante.
Fontes e referências
- International Society of Ultrasound in Obstetrics and Gynecology (ISUOG). Practice Guidelines. isuog.org
- American Heart Association. Diagnosis and Treatment of Fetal Cardiac Disease (Circulation, 2014). ahajournals.org
- Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO). febrasgo.org.br
Conteúdo revisado por Dra. Tassia Rezende, médica radiologista (CRM-MT 6930, RQE 3691 e RQE 3796), em 31 de outubro de 2026.